quarta-feira, 19 de julho de 2017

Eu tenho dado a tudo o que vejo todo o significado que tem para mim.

"*Eu tenho dado a tudo o que vejo neste quarto [nesta rua, desta janela, neste lugar] todo o significado que tem para mim.* 1. Os exercícios com essa ideia são os mesmos que os da primeira. Começa com as coisas que estão perto de ti e aplica a ideia a qualquer coisa sobre a qual o teu olhar pousar. Depois, aumenta o âmbito para fora. Vira a cabeça para incluir o que quer que esteja em qualquer um dos lados. Se possível, vira-te e aplica a ideia àquilo que estava atrás de ti. Continua sendo tão indiscriminado quanto for possível ao selecionar os sujeitos para a aplicação dessa ideia, não te concentres em nada em particular e não tentes incluir tudo o que vês em uma determinada área, ou introduzirás tensão. 2. Meramente dá uma olhada com naturalidade e razoável rapidez à tua volta, tentando evitar qualquer seleção por tamanho, brilho, cor, material, ou relativa importância para ti. Considera os sujeitos simplesmente como os vires. Tenta aplicar o exercício com igual facilidade a um corpo ou a um botão, a uma mosca ou ao chão, a um braço ou a uma maçã. O único critério para a aplicação da ideia a qualquer coisa é meramente que os teus olhos a tenham tocado. Não tentes incluir coisa alguma em particular, mas certifica-te de que nada seja especificamente excluído".

Comecei fazendo errado, fui atribuindo valores as coisas na minha frente depois que vi que era para ver os valores que as coisas tinham pra mim. A lição também diz que o que vivemos é uma ilusão atribuída aos valores colocados. Só que fiquei confuso, como que o que vivemos é uma ilusão se a realidade a nossa volta e o que nós somos fazem parte daquilo que damos valor? Sei que o nosso modo de viver é limitado pela forma como pensamos, mas daí pra dizer que todas as coisas reais não são reais me confundiu. É errado atribuir valores as coisas e as pessoas? E se não somos o que aparentamos, o que pensamos e o que fazemos, nós somos o que? 

Na discussão com uma colega no grupo ela trouxe a seguinte reflexão: "Buda diz que a matriz do sofrimento vem do desejo, que tem toda relação com o apego. Não é errado atribuir valor, porque não existe certo e errado, existe estágio evolutivo. Quando conseguirmos nos anular no sentido de deixar de ser uma gota e virar oceano, aí tudo terá o mesmo valor e não é você quem vai dizer qual é esse valor, será uma força maior, que estará integrada contigo". Não conheço muito sobre os estudos de Siddhartha Gautama ( sim, esse é o nome verdadeiro de Buda),  mas é verdade que o apego e o desejo deturpam nossa visão de realidade, mas também não conseguimos, pole menos por enquanto, sermos evoluídos a ponto de aceitarmos que nossos desejos são vendas afinal somos meros mortais. Mas no caso do apego, trabalhar para diminuí-lo já é um começo de caminho que melhora bastante a nossa percepção. Vejam, meu objetivo não é ser iluminado, mas consertar algumas coisas que percebo que não estão muito legais.

Apesar de nessa lição eu me sentir o Neo quando ele descobre sobre a Matrix acho que to começando a entender o porque nos limitamos muito. Só espero que no dia em que desencarnar não veja alguém puxando o plug porque ai vou ficar chateado com o diretor (referências de Matrix)!

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